O ano só começa depois do carnaval? Não para os ETFs

Com a palavra, Leonardo Vasques e Danilo Gabriel. Os executivos da XP Asset refletem sobre a dimensão que o mercado de ETFs (do número de fundos listados ao volume negociado) conquistou em 2025.

Com um ano que passou tão promissor, o que 2026 reserva? Com uma análise sobre a adaptação do mercado de distribuição ao modelo de fee-fixo e aos ETFs que já chegaram na bolsa em janeiro, os gestores veem que 2026 tem tudo para ser tão ou mais forte que o ano que passou.

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O primeiro ETF ativo chegou ao Brasil

A gestão ativa é um “hot topic” para quem acompanha o mercado de ETFs no Brasil, mas não é necessariamente uma questão que todo investidor está por dentro. Por isso, antes da notícia, um pouco de contexto.

Na tudoETF, sempre buscamos chamar os ETFs de fundos listados em bolsa, mas é comum que o mercado local se refira a eles como fundos de índice.

A escolha da redação é proposital: embora hoje a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) só permita que ETFs na B3 sejam fundos de índice (ou seja, entreguem retornos que estejam atrelados a um índice), a realidade pode logo mudar.

A própria CVM colocou na agenda de 2026 a discussão de ETFs com gestão ativa, ou seja, fundos negociados na bolsa que terão a liberdade de oferecer retorno acima de um benchmark.

(E se o fundo assume o risco de superar um benchmark, sua gestão ativa também pode entregar retornos abaixo eventualmente. Nunca é demais lembrar desse aspecto.)

Embora gestoras locais só possam lançar e administrar ETFs cujo retorno replica um índice, isso não se aplica aos BDRs, que podem (como a novidade demonstra) abrir caminho para o crescente mercado de ETFs de gestão ativa lá fora.

Os BDRs (sigla para Brazilian Depositary Receipts) são títulos negociados na B3 que dão acesso a papéis de outras bolsas fora daqui. Um exemplo é o TSLA34, um BDR que permite ao brasileiro investir na ação da Tesla sem a necessidade de abrir uma conta de investimentos internacional (BDRs, vale mais um adendo, possuem exposição cambial, portanto seu retorno sempre será impactado pela relação dólar/real).

Com diversos BDRs de ETFs estrangeiros já em negociação na B3, nesta semana o Brasil viu a chegada do primeiro BDR de ETF de gestão ativa. O JEPI39 é um lançamento da J.P. Morgan e acompanha o JEPI, ETF da companhia lançado em 2020.

Segundo o Bora Investir, portal da B3, “o JEPI foi desenvolvido para oferecer uma abordagem equilibrada entre geração de renda e exposição a ações, e busca entregar uma parcela significativa dos retornos associados ao S&P 500, mas com menor volatilidade, usando a venda de opções de compra (call) para gerar uma fonte adicional de renda, junto com os dividendos da carteira de ações.”

Giuliano de Marchi, CEO da J.P. Morgan na América Latina, sinalizou que este é só o primeiro de uma série de ETFs ativos que a companhia pretende lançar via BDRs por aqui.

Em relação ao JEPI, o ETF ficou praticamente no zero a zero em 2025, com retorno de 0,07%.

Falando em lançamentos…

Em cogestão com a V8 Capital, a Investo lançou o LFIX11, fundo que segue o índice da B3 chamado ILFS1, cujo objetivo é acompanhar uma carteira de Letras Financeiras de instituições do segmento S1, segundo o Banco Central.

Hmmm. Quê?

Simplificando, o fundo é mais uma adição às alternativas de investir em renda fixa via ETFs no Brasil, neste caso, dando acesso ao crédito bancário, como os ETFs LFIN11, do BTG, e o NFLA11, do Nubank.

As letras financeiras são emitidas para captação de recursos, com a contrapartida de pagamento de juros para o investidor. O nível S1 inclui as instituições financeiras de maior porte e consideradas mais seguras de acordo com a avaliação do Bacen, segundo o Valor Investe.

O LFIX11 conta com taxa global de 0,35% ao ano e uma carteira com mais de 6 mil ativos. Os emissores das letras financeiras acompanhadas têm os seguintes pesos no ETF: Bradesco (48%), Santander (16,5%), BTG Pactual (16,1%), Itaú (11,8%) e Banco do Brasil (7,5%).

Wall Street se prepara para jogar nos “prediction markets” via ETFs

Quem será a “pessoa do ano” segundo a revista TIME? Qual país tem mais chance de ganhar a próxima Copa do Mundo? Quando George R.R. Martin vai terminar de escrever a saga de livros que inspirou Game of Thrones?

Onde há pergunta, há espaço para uma negociação.

Esse é o status da internet em 2026, onde plataformas de prediction market como Polymarket e Kalshi fazem parte do dia a dia de muita gente.

E quando algo chama a atenção, o mercado financeiro não tarda em querer embalar o assunto em um ETF.

Um ETF de prediction markets, então, acompanharia a performance das empresas do setor? Não (e, vale dizer, empresas por trás de plataformas de apostas seguem em sua maioria com capital fechado).

Segundo a publicação do ETF Trends no último dia 19, as gestoras Roundhill Financial, GraniteShares e Bitwise registraram junto à SEC (órgão regulador dos EUA) pedidos de ETFs que funcionarão como uma aposta: se o investidor acredita que o partido Republicano ganhará a próxima eleição dos EUA, haverá um ETF para sua escolha. Outro ETF existirá para aqueles que acreditam na vitória dos Democratas. Por trás, o gestor utiliza o capital recebido para acessar uma plataforma e se posicionar na tese do ETF.

Todas as propostas enviadas pelas gestoras giram em torno das eleições americanas, da presidência ao Senado, e contam com uma estrutura de “tudo ou nada”: se a tese escolhida perder, o investidor não ganha nem um abraço.

Ainda há muito burburinho e pouca clareza sobre a mecânica dos ETFs (os pedidos não explicam, por exemplo, qual plataforma seria utilizada para realizar as apostas), bem como paira a principal dúvida no ar: a SEC vai aprovar? A própria pergunta rende uma aposta.

A novidade serve para, de um lado, mostrar a criatividade que o recheio de um ETF pode trazer e, por outro, para lembrar o investidor que, embora tudo possa ser ETF, nem todo ETF é sinônimo de construção de patrimônio.

Invista por sua conta e risco.