
A evolução do mercado brasileiro de ETFs é notória. No evento do ano passado, a indústria local estava com um patrimônio por volta 50-60 bilhões de reais. 12 meses depois, vemos uma indústria que dobrou de tamanho, com um número de investidores chegando cada vez mais próximo da marca de 1 milhão.
Vemos aqui uma indústria que tem atraído atenção de investidores e alocadores, mas com uma lacuna educacional ainda muito grande. Além disso, o amadurecimento desse ecossistema exige uma mudança de mentalidade, e a mais recente edição da Semana de ETFs trouxe reflexões profundas sobre o papel da psicologia financeira na tomada de decisão e a transição de um mercado focado em apostas de curto prazo para um planejamento verdadeiramente estruturado.
Historicamente, o investidor local tem lidado com o efeito manada e a aversão à perda de maneira reativa. Durante o evento, Gustavo Cerbasi destacou perfeitamente esse cenário de "educação financeira em conflito", onde o marketing e os algoritmos entregam soluções sedutoras, levando o brasileiro a encarar o investimento como uma aposta. Por não sermos formados estrategicamente para o longo prazo, a pauta da gestão ativa frequentemente atrai mais atenção, criando a noção ilusória de que investir de forma ativa seria invariavelmente mais inteligente.
No entanto, o uso de fundos de índice surge como a solução madura e adequada para quem não tem tempo de fazer gestão ativa. Cerbasi pontua que o melhor ETF não deve ser avaliado apenas considerando o perfil do investidor (conservador, moderado ou arrojado), mas sim o seu objetivo financeiro, visto que é um veículo que traz proteção. Carlos Constantini, diretor executivo de Wealth Management & Services do Itaú, complementou essa visão reforçando que, à medida que alcançamos mais educação e letramento financeiro, a adoção dos ETFs cresce de forma natural.

Muito do valor da alocação via ETFs reside na economia comportamental. Paulo Costa, senior manager e economista comportamental na Vanguard, dividiu a relação do cliente com a assessoria em quatro pilares fundamentais: portfólio do cliente, planejamento financeiro, valor emocional e tempo. Segundo ele, mais de 80% dos clientes buscam auxílio inicial para a montagem do portfólio, mas o que os mantém fiéis à estrutura é o valor emocional, traduzido na paz de espírito. Nesse contexto, o ETF transcende a busca simples pelo retorno, pois permite agregar valor emocional e economizar o tempo do investidor.

Para os grandes alocadores, a tese é exatamente a mesma. Sylvio Castro, head de Investimentos Globais e Fundos de Fundo no Itaú, apontou que o ETF desponta naturalmente como a forma mais barata e eficiente de acessar um tema sem a necessidade de fazer stock picking. Quando o modelo de remuneração está centrado na prestação de serviço, a busca por estratégias eficientes cai como uma luva, gerando alocações na casa dos R$ 2 bilhões em apenas 11 meses dentro de carteiras administradas do Itaú.
A expansão institucional e o acesso de novos investidores, como a geração mais jovem, que tem adotado mais os fundos de índice devido a limitações de tempo e dinheiro, pavimentam o caminho para o próximo grande ciclo. E esse ciclo está intimamente atrelado à renda fixa.
Castro ressaltou que onde a indústria dos ETFs estará no futuro depende muito do mercado de renda fixa. O mercado nacional tem a capacidade de aprender com os erros cometidos lá fora, e, dado que o investidor brasileiro possui um forte DNA de renda fixa, Arthur Carasso, head de Global Private Investment no Itaú Private Bank, aponta que essa indústria tem um potencial enorme para capturar fluxo e dobrar muito antes de 2030. Filipe Portella, cofundador e CEO da Monte Bravo, corroborou esse cenário, observando uma educação cada vez maior por parte dos investidores ao longo desse caminho.

A evolução da renda fixa listada em bolsa culmina em inovações práticas para a estruturação das carteiras, suprindo especificamente o espaço de alocações mais defensivas. Um lançamento recente que materializa essa busca do mercado por máxima eficiência é o CDIB11.
Apresentado durante a Semana de ETFs como um verdadeiro "jogador da defesa", este veículo é o 11º ETF de renda fixa da casa e o seu 33º no total, posicionando-se como o ETF mais conservador da prateleira. O fundo busca acompanhar o CDI, com potencial de retorno excedente, de maneira muito tranquila. Para atingir esse objetivo, o CDIB11 segue o índice ITBR SELIC 800 - Índice Teva ITBR Selic Target 800, desenvolvido pela Teva Indices.

O índice combina LFT de prazos mais longos (cerca de 90% do fundo) e NTN-B 2060, visando manter o prazo médio da carteira em 800 dias, acima dos 720 dias exigidos para tributação de 15% de imposto de renda num ETF de renda fixa.
No "país da renda fixa", o investidor tem mais uma possibilidade de acesso a uma eficiência fiscal fantástica: o CDIB11 oferece alíquota de 15% de imposto de renda no ganho de capital, sendo isento da incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e sem a cobrança semestral do "come-cotas".
CDIB11 é um ETF de base R$ 50 e com taxa de administração de 0,15% ao ano.