A decisão de investimento na renda fixa costuma começar pela escolha do indexador. Renda fixa pré, pós, IPCA +, são diversas opções disponíveis para se acessar via ETFs, mas que por muitas vezes o investidor estima retorno e, a partir dele, escolhe o instrumento. Esse raciocínio é intuitivo. Mas, no longo prazo, é incompleto.

O retorno do investimento não é definido apenas pela taxa contratada. A forma como um ETF gerido e implementado tem grande impacto ao longo do tempo.

Duas exposições aparentemente equivalentes podem gerar trajetórias bastante diferentes. E essa diferença raramente aparece no curto prazo. Ela se constrói de forma gradual, à medida que a estrutura do investimento interage com o tempo.

Essa diferença pode parecer marginal no início, mas se torna relevante quando observada em horizontes mais longos, especialmente quando comparamos estruturas com níveis distintos de eficiência.

O custo da eficiência

Veículos de investimentos diferentes podem gerar retornos diferentes ao longo do tempo, mesmo perseguindo o mesmo indexador, devido ao impacto de fricções como tributação, eficiência em reinvestimento e rebalanceamento.

A ausência do come-cotas nos ETFs de renda fixa gera eficiência tributária que se destaca. Ao contrário dos fundos, ETFs não têm a antecipação de imposto, que preserva a base de capital investida, permitindo que o retorno seja reinvestido de forma integral, gerando o efeito direto na acumulação.

Abaixo dois exemplos deste efeito ao longo do tempo.

O gráfico abaixo compara o retorno acumulado de um fundo tradicional e um ETF de mesmo índice, nesse caso, o IMA-B. A diferença nos retornos se deve justamente pela ausência de come-cotas no ETF.

Fonte: Itaú Asset e Bloomberg

No gráfico abaixo a comparação é entre um fundo tradicional que acompanha o CDI e o CDIB11, novo ETF lançado pela Itaú Asset.

Fonte: Itaú Asset

Será que só a tributação é suficiente?

O retorno líquido de um investimento é o resultado de um conjunto de detalhes, muitos deles pouco visíveis no dia a dia, mas relevantes no acumulado. Além da tributação, detalhes como custos operacionais e eficiência na gestão, como reinvestimento dos fluxos e qualidade da execução. Cada uma dessas variáveis atua como uma camada que aproxima, ou afasta, o retorno efetivo da taxa original.

Esse ponto ganha ainda mais relevância na renda fixa porque a dispersão de retornos tende a ser menor. Quando a taxa é semelhante entre diferentes ETFs de mesma exposição, pequenas diferenças estruturais passam a ter um peso proporcionalmente maior no resultado final.

É nesse contexto que a análise precisa evoluir. Em vez de observar apenas a taxa de administração de cada ETF, a decisão passa a incorporar uma pergunta mais relevante: como essa taxa será capturada ao longo do tempo. Isso traz um segundo nível de análise, menos evidente, mas determinante: a qualidade da execução da estrutura.

Mais alguns pontos que são relevantes

A gestão da carteira reflete como o índice é replicado, incluindo rebalanceamentos e gestão de fluxos, que pode reduzir desvios e melhorar a eficiência ao longo do tempo.

Outro ponto de atenção é o índice de referência, pois a qualidade de sua metodologia se reflete na qualidade da exposição do ETF em questão de duration, risco e comportamento esperado da carteira.

Atentar para a liquidez do ETF e, principalmente, dos ativos que o compõem, além da atuação de formadores de mercado e as condições de negociação. O spread (diferença entre preço de compra e venda) de negociação impacta diretamente o custo de entrada e saída – consequentemente o retorno final.

ETFs combinam gestão, índice e liquidez, e a qualidade dessa combinação faz diferença no resultado. Os ETFs de renda fixa se inserem exatamente nesse ponto da alocação.

Naturalmente, existem trade-offs. ETFs estão sujeitos à marcação a mercado e à dinâmica de negociação em bolsa. Mas essas características refletem o comportamento dos ativos subjacentes e não a perda de eficiência estrutural. Em contrapartida, oferecem transparência, padronização e controle sobre o momento de execução.

Conclusão: Vamos reforçar para deixar bem claro

Escolher o indexador é o ponto de partida, mas a estrutura mais eficiente é o que define o caminho. E, no longo prazo, o resultado está muito mais ligado a esse caminho do que o indexador ou ao nível de retorno esperado em si. Isso significa que escolher bem o veículo é fundamental na decisão de alocação.

Explorar essas diferenças na prática, comparando estruturas e entendendo os detalhes que as diferenciam, pode fazer mais diferença do que buscar alguns poucos pontos-base adicionais de retorno.

Ferramentas como o simulador de ETFs disponível no site itnow.com.br ajudam exatamente nesse exercício: transformar conceito em decisão concreta.

Não se esqueça, é muito relevante entender e priorizar investimentos com veículos eficientes, pois estes geram valor adicional ao longo do tempo!

Fonte: Itaú Asset

Bruno Tariki é formado em Administração de Empresas pelo Insper e atua no mercado financeiro desde 2002. Atuou por 13 anos na gestão de fundos de ações na Bradesco Asset Management, onde passou a gerir fundos indexados e participou do lançamento do primeiro ETF da instituição. Integrou a equipe de gestão dedicada a mandatos indexados e ETFs da XP Asset Management entre 2021 e 2025. Bruno se junto à equipe de gestão Indexados e ETFs da Itaú Asset em 2025.