
Você lembra onde estava em 2 de abril de 2025?
É bem provável que você se recorde. Naquele dia, Donald Trump apareceu no Rose Garden da Casa Branca segurando uma placa com os percentuais das tarifas que os Estados Unidos passariam a cobrar de praticamente todos os seus parceiros comerciais. O mercado não esperou para ver o que viria a seguir.
Em questão de dias, o S&P 500 acumulou uma queda de quase 19% em relação ao pico registrado em fevereiro. A euforia deu lugar ao pânico e muitos investidores ficaram com o seguinte questionamento: o que eu faço com minha carteira agora?
Um ano se passou. E a resposta dos mercados desafiou o pessimismo inicial.
Ao contrário do crash prolongado que muitos previam, o S&P 500 após o Liberation Day fechou 2025 com alta superior a 35%. Vale lembrar que o episódio das Tarifas teve diversas idas e vindas e toda vez o mercado reagia aos noticiários. A volatilidade não desapareceu, mas o fim do mundo anunciado não veio.
O que esse episódio revelou, porém, vai muito além da resiliência do mercado americano. Ele expôs algo que muitos investidores ainda costumam ignorar: a concentração geográfica tem um custo real.
Vamos aos números. Entre o fechamento do mercado em 2 de abril de 2025 e um ano depois, a performance dos principais índices globais contou uma história diferente daquela que os títulos dos jornais sugeriam:

Releia esses números com calma. O índice que mais subiu no período não foi o americano. Brasil, México, Japão, Reino Unido, enfim, outros países que foram alvo de tarifação, tiveram retorno superior ao do mercado americano.
O investidor que, em 2 de abril de 2025, tinha sua carteira internacional concentrada apenas em ETFs de bolsa americana ganhou menos e sofreu mais. O investidor que já tinha exposição geográfica diversificada atravessou a tempestade com um pouco mais tranquilidade e com mais retorno.
Existe uma lógica sedutora por trás da concentração em EUA. As maiores empresas do mundo são americanas. O S&P 500 acumulou retornos extraordinários por mais de uma década. ETFs como o IVVB11 e o NASD11 fizeram a alegria de quem comprou e segurou. Mas o Liberation Day mostrou o que acontece quando o maior mercado do mundo se torna também a principal fonte de risco geopolítico.
Ben Ritchie, da Aberdeen Investments, disse uma frase na reportagem ao Funds Society que merece ser tratada como mantra por todos os investidores: "Manchetes nem sempre contam a história completa."
É exatamente isso que o comportamento dos mercados ilustrou com precisão cirúrgica. O investidor que vendeu no momento de pânico, assustado pelo tamanho da placa que Trump segurava no Rose Garden, não apenas realizou prejuízo. Ele ficou de fora da recuperação. O investidor que permaneceu investido, com uma carteira construída para os seus objetivos e não para os ruídos do noticiário, saiu na frente.
A volatilidade não é uma anomalia. É o preço de entrada do mercado.
Pensando numa alocação estrutural, hoje a B3 já disponibiliza alguns ETFs que permitem exposição para além de EUA: ETFs que vão ter participação em outras geografias, como Europa, Ásia e outros países emergentes, ou até mesmo ETFs que excluem da carteira as empresas americanas.
A pergunta que o Liberation Day deixou não é "devo sair dos EUA?". É uma diferente, mais honesta e mais estratégica: Faz sentido que os EUA sejam o único endereço do meu dinheiro no mundo?
Um ano depois, podemos concluir que não houve crash, ou recessão. O que aconteceu foi a famosa volatilidade. Quem estava posicionado com clareza de objetivos e diversificação geográfica, essa oscilação foi apenas barulho.
O investidor que saiu vencendo não foi aquele que previu o movimento de Trump. Foi aquele que construiu uma carteira capaz de sobreviver a qualquer movimento, de qualquer presidente, em qualquer país.