
Em janeiro deste ano escrevi publicamente que a indústria brasileira de ETFs chegaria a R$ 1 trilhão antes de 2030. O mercado fechava 2025 em R$ 90 bilhões. Quatro meses depois está em R$ 118 bilhões.
Mais do que atualizar o número, vale mostrar o raciocínio por trás da previsão, porque ele ficou mais sólido, não menos.
O patrimônio líquido da indústria brasileira de ETFs mais que dobrou nos últimos doze meses. Em abril de 2025 era R$ 56 bilhões. Em abril de 2026 chegou a R$ 118 bilhões, crescimento de 111% em um ano.
O caminho para R$ 1 trilhão não depende de projeção sofisticada. Depende de uma pergunta direta: se a indústria continuar dobrando a cada doze meses, quando chega a R$ 1 trilhão?
A matemática é simples. R$ 236 bilhões em abril de 2027. R$ 472 bilhões em abril de 2028. R$ 944 bilhões em abril de 2029. A indústria passa de R$ 1 trilhão em meados de 2029, antes de 2030.
A previsão não exige que a duplicação aconteça exatamente nesse ritmo. Exige que o ritmo atual se sustente. E os dados de 2026 sugerem que sim.

Patrimônio líquido é o número central, mas a captação líquida é o argumento mais revelador, porque elimina o efeito de valorização de ativos e mostra entrada real de capital novo.
Em todo o ano de 2025, a indústria captou R$ 21,9 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026 já captou R$ 23,1 bilhões, mais do que o ano inteiro anterior em menos de um terço do tempo. Janeiro, fevereiro e março de 2026 foram os três meses de maior captação líquida da história da indústria brasileira de ETFs.

O número de investidores confirma a direção. De acordo com o Boletim Mensal de Abril da B3, no final de dezembro de 2020 havia 242 mil cotistas em ETFs no Brasil. Em abril de 2026 o fechamento foi de 854 mil, mais que o triplo em pouco mais de três anos. E o número de produtos operacionais saiu de 88 para 195 no mesmo período. Mais produtos resolvem mais problemas de mais alocadores e ampliam o mercado endereçável.
Vale olhar para trás antes de olhar para frente. Em 2022 e 2023, a indústria brasileira de ETFs teve captação líquida negativa. O mercado sangrou capital em dois anos consecutivos. Mesmo assim, o número de cotistas continuou crescendo consistentemente durante todo esse período.
Esse dado importa porque mostra que o crescimento atual é estrutural. A base de investidores estava sendo formada mesmo quando o patrimônio recuava. Quando as condições estruturais se alinharam, vantagem tributária clara nos ETFs de renda fixa, aceleração do modelo fee-based e expansão do número de produtos, o capital que estava sendo formado se moveu com velocidade histórica.
O crescimento de 2025 e 2026 não veio do nada. Veio de uma base construída com consistência ao longo de anos difíceis.
R$1 trilhão antes de 2030 é o cenário em que o ritmo atual se sustenta. Osprimeiros quatro meses de 2026 não enfraqueceram esse argumento. Reforçaram.
