2026, ano de copa do mundo, resolvi escrever sobre futebol. E um pouco de ETFs também!

No futebol, todo torcedor sonha com um “Camisa 10” genial. Mas quem acompanha o esporte sabe: nenhum time ganha campeonato só com um craque. É preciso goleiro confiável, zaga sólida, meio-campo equilibrado e ataque capaz de decidir o jogo quando a oportunidade aparece.

No mundo dos investimentos com ETFs, a lógica é exatamente a mesma. É preciso ter diversificação, bons sistemas de alocação, ajustes de posições ao longo do tempo de acordo com mudanças de cenário e principalmente, disciplina.

A pergunta “Qual é o melhor ETF de todos os tempos?” se assemelha muito a “Qual é o melhor jogador da história?”. A resposta depende muito do campeonato, do estilo do time, do adversário e do momento. O que realmente faz diferença não é um jogador isolado, mas a combinação correta de posições, bem distribuídas e alinhadas ao objetivo do time.

É justamente por isso que os ETFs se consolidam como uma das principais ferramentas de alocação de carteiras ao redor do mundo. E para isso, qual a melhor forma de escalar um time vencedor?

Antes de escalar, é preciso treinar. Com disciplina. 

Disciplina não é comprar e esquecer. No futebol, disciplina vem de treino, estudo do adversário e clareza tática. Nos investimentos, disciplina significa entender bem o que cada ETF entrega e como ele reage aos cenários econômicos e diferentes regimes de mercado, pra poder posicioná-lo da maneira mais adequada.

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Montando o time: quem faz o quê na carteira

Goleiro: proteção e estabilidade. Todo time campeão começa com um goleiro confiável. Na carteira, esse papel é exercido por ETFs de renda fixa, títulos públicos, crédito ou instrumentos de menor volatilidade.  Eles não aparecem nos melhores momentos, mas evitam derrotas feias. São fundamentais para atravessar períodos de crise.

Zaga: consistência e diversificação. A defesa não precisa fazer gols, mas não pode falhar. Aqui entram ETFs amplos e diversificados, que dão solidez estrutural à carteira, com exposição a mercados grandes, mais estáveis, líquidos e resilientes.

Meio campo: equilíbrio e construção. O meio campo é quem dita o ritmo do jogo. Nos portfólios, é quem faz a transição entre proteger e atacar, permitindo que a carteira se adapte ao longo do tempo às mudanças de juros, inflação, ciclo global e câmbio.

Ataque: onde se busca alta performance. Nenhum time entra em campo apenas para empatar. O ataque da carteira é formado por ETFs que concentram risco de forma consciente em busca de maior retorno.

Aqui entram ETFs ligados a:

  • empresas em fase de crescimento acelerado;
  • setores em alta ou transformacionais;
  • temas estruturais que ganham relevância em determinados ciclos

Tecnologia, energia, mercados emergentes, inovação, inteligência artificial são jogadores de impacto. Capazes de mudar o placar, mas que precisam estar bem posicionados dentro do time. Ataque em excesso, sem equilíbrio, transforma ousadia em vulnerabilidade.

Por que não existe o “ETF craque absoluto”?

Porque as condições do jogo mudam. Um ETF decisivo em um período de juros baixos pode não performar da mesma forma em um cenário de inflação alta. Um setor dominante em um ciclo econômico pode passar anos em baixa no ciclo seguinte. Um mercado líder hoje pode ficar para trás amanhã. Como no futebol, o esquema tático importa mais que o talento individual. Um atacante genial fora de posição perde eficiência. Um ETF excelente fora de contexto também.

A melhor carteira não é a que escolhe “o melhor ETF”, mas a que escolhe o ETF certo para a função certa, no momento certo e para o perfil certo do investidor.

Alguns investidores vão querer evitar determinados países, outros vão querer uma exposição temática. Alguns aceitam mais volatilidade; outros dormem melhor com menos risco. No futebol, há times mais ofensivos e outros mais defensivos, e ambos podem ser campeões.

Os ETFs ajudam justamente porque permitem customização sem perder disciplina. Troca se um jogador, ajusta se o esquema tático, mas o time segue organizado.

O cenário é o adversário da rodada

Toda rodada traz um adversário diferente. Em investimentos, o adversário atende por nomes como cenário macroeconômico, ciclo de juros, crescimento global e risco geopolítico.

Um bom portfólio de ETFs permite ajustes graduais:

  • reforçar a defesa quando o jogo fica difícil;
  • adiantar o meio-campo quando o controle melhora;
  • colocar mais atacantes quando o cenário abre espaço.

O papel do assessor: técnico, não empresário de algumas estrelas

Nesse contexto, o assessor atua como técnico. Seu trabalho é pensar no coletivo e:

  • distribuir bem as posições;
  • evitar concentração excessiva;
  • manter o time jogando junto;
  • buscar perenidade do portfólio e que o time aguente o campeonato inteiro.

Não por acaso, pesquisas internacionais mostram que os ETFs já respondem por grande parte das carteiras recomendadas por assessores, com expectativa de crescimento nos próximos anos.

Fonte: 2025 RIA ETF Trends Report

Campeonatos são ganhos no coletivo

Não existe o ETF “craque”, o ETF artilheiro eterno ou o ETF que resolve todos os problemas. O que existe é:

  • um bom elenco (diversificação);
  • um esquema coerente (alocação);
  • ajustes ao longo do campeonato (cenário);
  • e disciplina para jogar até o fim (horizonte de investimento).

O uso de ETFs cresce porque eles permitem exatamente isso: montar times unidos, sólidos, adaptáveis e com clareza de função individual.

E você, qual a escalação de ETFs para seu portfólio?

Clayton Rodrigues é Head de Indexados e Internacionalização na Bradesco Asset Management, onde lidera a plataforma de ETFs e a expansão de fundos internacionais. Sua trajetória sólida em multimercados e asset alllocation destaca-se pela inovação em produtos globais, uso de derivativos, combinando visão macro com apoio quantitativo no processo de  investimentos, com atuação próxima a investidores e parceiros locais e internacionais.