Quando investimos em um ETF amplo, estamos aceitando uma condição simples: teremos no portfólio tanto empresas vencedoras quanto perdedoras, e nossa rentabilidade será o retorno médio do mercado. Para muitos investidores, essa ideia pode soar desconfortável. Afinal, ninguém gosta de se considerar “mediano”. Segundo pesquisas, a maioria dos motoristas se considera melhor do que a média. É uma percepção curiosa: se todos acreditam estar acima do padrão, quem afinal seria o motorista mediano?

Essa tendência à autoconfiança excessiva não acontece apenas no trânsito, mas também nos investimentos. Quando nos deparamos com a ideia da gestão passiva, surge a mesma resistência: aceitar a média parece pouco atraente, porque muitos acreditam que conseguem ser melhores que ela.

Menos de 4% respondem pela geração de riqueza do mercado americano

Aqui mora um equívoco comum: a média do mercado não é uma linha reta onde metade das ações está acima e metade abaixo. A realidade é bem diferente. Um estudo do professor Hendrik Bessembinder intitulado “One Hundred Years in the U.S. Stock Markets” mostrou que, entre 1926 e 2025, menos de 4% das ações listadas nos EUA foram responsáveis por toda a geração de riqueza do mercado, enquanto a maioria destruiu valor para seus acionistas.

Fonte: Estudo One Hundred Years in the U.S. Stock Markets, de Hendrik Bessembinder, Arizona State University.

No Brasil, os dados encontrados pelo professor seguem um padrão semelhante. Encontrar essas poucas ações é como procurar uma agulha no palheiro. E mesmo gestores altamente especializados têm dificuldade: em longas janelas de tempo, menos de 10% dos fundos ativos superam seus índices de referência de acordo com o relatório SPIVA, divulgado semestralmente pela Standard & Poor 's.

Fonte: Relatório SPIVA - Fechamento de 2025

Essa realidade ajuda a explicar a ascensão global dos ETFs e das estratégias de indexação ao longo das últimas décadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a indústria de gestão ativa dominava quase todo o mercado nos anos 1980. Hoje, mais da metade do patrimônio em fundos já está em veículos passivos. A explicação não é modismo: é matemática. Custos menores significam que o investidor passivo começa cada ano com uma vantagem estrutural sobre o gestor ativo, que precisa superar o índice por uma margem suficiente para cobrir suas taxas e ainda assim entregar mais. No longo prazo, poucos conseguem sustentar esse desempenho de forma consistente.

Ou seja, quando o investidor pensa em montar sozinho uma carteira apenas com as “boas ações”, ele está assumindo uma tarefa quase impossível. As empresas realmente vencedoras só são óbvias depois do fato consumado, e na maior parte das vezes o preço já incorporou as expectativas positivas muito antes de qualquer “descoberta individual”.

E se ao invés da agulha, comprarmos o palheiro inteiro?

É aqui que investir na média se mostra uma das estratégias mais inteligentes. Ao comprar o "palheiro inteiro" por meio de um ETF, o investidor garante que estará exposto às raras empresas responsáveis por puxar o mercado para cima, sem correr o risco de ficar de fora dos grandes campeões. Ao mesmo tempo, as empresas que não prosperarem vão perdendo peso naturalmente até praticamente desaparecerem do índice. O investidor que se mantiver exposto à média não precisa adivinhar quem serão os campeões; basta estar posicionado para colhê-los quando eles surgirem.

No fim das contas, o mesmo viés que nos faz acreditar que somos motoristas acima da média é o que nos leva a acreditar que conseguimos identificar, com antecedência, as poucas dezenas de empresas responsáveis por quase toda a criação de riqueza do mercado. Reconhecer esse limite não é fraqueza intelectual. É o ponto de partida para investir melhor.

Na Investo, acreditamos nesse princípio. O WRLD11 e o VWRA11 são ETFs que permitem ao investidor comprar justamente esse palheiro, com exposição a milhares de empresas ao redor do mundo, incluindo as raras que puxam o mercado para cima. Com custo reduzido e diversificação global, eles traduzem na prática o argumento deste texto: no longo prazo, estar posicionado na média do mercado mundial tem se mostrado não apenas prudente, mas vencedor.

Danilo Moreno é Coordenador de Research na Investo, onde atua no desenvolvimento de conteúdos e análises voltados à democratização dos investimentos passivos no país. É bi-diplomado em Relações Internacionais e Economia pela FACAMP e especialista de investimentos certificado pela Anbima. Com mais de meia década de atuação, acumulou experiência na área de Gestão de Patrimônios, passando por casas como Liberta Investimentos e Nord Wealth, com foco em clientes de alta renda e private. Entusiasta de ETFs e da filosofia da gestão passiva.