Estamos em um momento de fortíssima volatilidade a nível mundial. Em um cenário de tensões geopolíticas a todo vapor, o investidor é frequentemente inundado por manchetes e narrativas que geram sentimentos de euforia e pânico. É em momentos como esse que se destaca a importância do controle emocional no mercado financeiro.

Não basta ter conhecimento técnico sobre as correlações entre o preço do Brent, o dólar e a curva de juros. O investidor precisa manter-se firme ao seu planejamento financeiro e aos seus objetivos de longo prazo.

No painel “Como pensar alocação antes de escolher ativos”, Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP, reforçou que o investidor deve considerar o fator humano na construção do portfólio. Segundo ele, é preciso cautela com o "pensamento de grupo" e o efeito manada. Rafi Figueiredo, estrategista de ações da XP, complementou o raciocínio, afirmando que os investidores precisam se precaver contra narrativas difundidas em redes sociais e evitar o viés de confirmação.

Ambos citaram a importância da humildade intelectual. De acordo com Sgavioli, o mercado é majoritariamente aleatório e probabilístico; por isso, o investidor deve aprender a trabalhar com a incerteza. “Crises virão, não tenham dúvidas disso”, afirmou o especialista.

O custo do imprevisível

No painel “O que os grandes investidores entendem antes dos outros”, conduzido por Rudolf Gschliffner, CEO da Santander Asset, houve um novo reforço sobre a natureza aleatória do mercado. O especialista apresentou um estudo da gestora que ilustra o custo de ficar fora das maiores altas do Ibovespa nos últimos 10 anos:

  • Investidor que permaneceu posicionado: Retorno de cerca de 14,5% ao ano.
  • Perdeu os 5 melhores dias: O retorno caiu para 10,0% ao ano.
  • Perdeu os 30 melhores dias: O retorno foi de -0,2%.

“Acertar o market timing pode custar muito caro no longo prazo”, disse Gschliffner. Segundo ele, crises criam oportunidades, mas a emoção gera o erro. O inimigo não é o ciclo de mercado, mas sim o comportamento do investidor.

Outro ponto fundamental é a diversificação. Segundo Rudolf, nenhum ativo vence sempre. “O mercado se antecipa aos movimentos; quanto antes o investidor diversificar a carteira, melhor posicionado estará”. Além disso, ele destacou o fator tempo: buscar ganhos rápidos interrompe o crescimento do patrimônio, enquanto o tempo reduz o impacto dos ciclos e aumenta a previsibilidade dos retornos.

A cereja do bolo: o investimento através de ETFs

O tema ETF esteve presente no Z-SUMMIT e o painel “ETFs no Brasil” reuniu B3, Ágora e Bradesco Asset para discutir sobre o tema. Clayton Rodrigues, head de fundos indexados na Bradesco Asset, trouxe a reflexão de que o investidor deve enxergar os ETFs como uma ferramenta para exposição a uma determinada tese. “A beleza do ETF é permitir usar vários blocos de construção para que o investidor monte algo alinhado aos objetivos”, disse o especialista.

Da esquerda para direita: Fernando Bueno, Bruna Marcelino, Henrique Colla e Clayton Rodrigues

Bruna Marcelino, consultora de negócios na B3, comentou sobre alguns dos benefícios dos ETFs. Segundo ela, eles permitem uma diversificação com baixo custo. “ETF é um veículo que traz muita eficiência e que permite facilmente exposição aos mais variados mercados e temas”, disse.

Henrique Colla, analista de research da Ágora Investimentos, reforçou que apesar do mercado de ETFs representar ainda cerca de 1% da indústria de fundos do Brasil, a indústria deve atrair cada vez mais investidores justamente pelas vantagens de custo e facilidade de diversificação.

Além do painel exclusivo sobre ETFs, o tema também foi abordado pelo CEO da Santander Asset. Perguntado sobre como os ETFs podem contribuir na alocação por objetivos, Rudolf Gschliffner, comentou sobre alguns dos motivos de crescimento na adoção dos ETFs lá no mercado americano e fez o paralelo com o mercado brasileiro. Segundo ele, a migração do modelo de assessoria comissionada para o modelo fee-based fez com que muitos profissionais de mercado passassem a adotar veículos mais baratos e simples, impulsionando o uso de ETFs. Outro motivo na visão do CEO foi a performance do mercado. “O investidor que dispunha de patrimônio para investir em fundos e pagar taxas mais altas por isso percebeu que ele poderia acessar o S&P 500, por exemplo, uma classe que entregou retornos consistentes ao longo do tempo, sem ter os custos da gestão ativa”, disse.

Por fim, Rudolf comentou sobre a evolução que o mercado brasileiro de ETFs tem atravessado. Segundo o executivo, é possível observar um crescimento na diversificação das teses e um crescimento nas ofertas de renda fixa, o que representa um amadurecimento na indústria, tendo em vista que até pouco tempo atrás o mercado de ETFS no Brasil era focado em estratégias de renda variável.

O que realmente importa?

Os ETFs têm permitido uma exposição bem completa a diferentes classes, setores e mercados. Com tantos temas e possibilidades no mercado, ter um ativo transparente, eficiente e de baixo custo realmente facilita a vida do investidor. Mas além do conhecimento sobre a tese, sobre os riscos, o investidor precisa levar em consideração algo trivial: o fator psicológico. O ser humano é algo que adiciona um risco para os portfólios. Estamos todos sujeitos diariamente aos vieses, heurísticas e emoções e perder esse controle no mercado pode acarretar em perdas expressivas.