A indústria de fundos de investimentos tem um corpo robusto de cerca de R$ 11 trilhões em ativos sob gestão, mas o segmento de ETFs ainda ocupa apenas 1% desse espaço. Nas palavras de Rubens Henriques, sócio e CEO do BTG Pactual Asset, a indústria de ETFs no Brasil ainda é bastante tímida.

O executivo relembrou o lançamento dos primeiros ETFs de renda fixa e as discussões necessárias para que isso fosse possível. Rubens também comentou sobre a relevância que os ETFs de renda fixa têm na indústria como um todo. "Nos últimos dois anos, o segmento de renda fixa, que é o grande bolso do investidor brasileiro, tem sido responsável por boa parte do crescimento da indústria local de ETFs", comentou o CEO da BTG Asset.

Rubens Henriques, CEO da BTG Pactual Asset Management

Na visão de Henriques, alguns pilares são vitais para que os ETFs tenham cada vez mais participação no mercado. O lançamento de novas teses, avanço de questões regulatórias e a educação de investidores e alocadores foram apontados por ele como contribuintes nessa adoção dos ETFs. "Nós da indústria temos um papel relevante na educação dos investidores e alocadores. Ainda não está muito claro para os investidores as vantagens dos ETFs e como eles podem contribuir nos portfólios", disse Rubens.

Agilidade em Mar Revolto: Cenário Macro e ETFs de Renda Fixa

No painel seguinte, Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, e Eduardo Miquelotti, sócio e gestor na BTG Asset, abordaram as nuances de cenário macroeconômico. Mansueto abordou os impactos das tensões no Oriente Médio para a nossa economia. Segundo o economista, o conflito gera reflexo no preço do Brent (uma das referências na cotação do barril de petróleo), que reverbera nas expectativas de corte de juros e Selic terminal.

Outro ponto abordado por Almeida foi a preocupação com as questões fiscais do país. De acordo com o economista, a relação dívida pública/PIB em 2022 era em torno de 71% e a projeção é que esse número chegue a 81% ao final de 2026. A questão é que esse avanço gera um impacto significativo no juro real do país.

À esquerda, Mansueto Almeida, e à direita, Eduardo Miquelotti

"Diferente de 2016, quando havia diversos setores da economia estavam em crise, estamos com uma economia que tem apresentado certo crescimento e nenhum setor está numa crise estrutural. O problema que precisa ser endereçado pelo próximo governo é o fiscal", afirmou o economista-chefe.

Diante desse cenário de bastante incerteza, Eduardo Miquelotti, sócio e gestor da BTG Asset comentou sobre a versatilidade dos ETFs. De acordo com Miquelotti, a liquidez do veículo (facilitada pelos formadores de mercado) permite que os investidores consigam ajustar a carteira para diferentes cenários, de forma simples e rápida.

O gestor ainda trouxe cinco pilares que, na sua visão, tornam os ETFs veículos interessantes aos investidores:

  • Vantagem tributária. Os ETFs não possuem cobrança de IOF e come-cotas;
  • Vantagem de custo. Os ETFs, por vedação da CVM, não cobram taxa de performance;
  • Liquidez, algo que é vital em um ambiente de forte volatilidade;
  • Transparência. A cesta dos ETFs é pública e acessível diariamente;
  • Diversificação. Uma única cota consegue dar exposição em diversos títulos

Quem controla os recursos, controla o jogo

Neste painel, Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, e Ricardo Kazan, sócio e gestor da BTG Asset, trouxeram o contexto geopolítico por trás de algumas commodities relevantes, tais como petróleo, ouro e terras raras.

Se a economia global fosse um jogo de xadrez, as peças de commodities estariam sendo movidas por mãos muito mais cautelosas. Kazan comentou que nos últimos 30 anos um grande movimento de integração econômica foi visto. Os países construíram uma certa confiança em seus parceiros comerciais. No entanto, o Liberation Day, sanções e outros conflitos ao redor, fizeram com que essa confiança fosse se perdendo.

"Em função de todas essas nuances políticas, os países se viram obrigados a aumentar seus estoques em commodities estratégicas justamente por não poderem mais depender fortemente de parceiros comerciais", afirmou o especialista. O mundo saiu de uma era de integração para uma de estocagem estratégica.

À esquerda, Thiago Salomão, e à direita, Ricardo Kazan

Diante deste cenário mais adverso, o gestor comentou sobre a facilidade do investimento através de ETF. Um veículo como esse, voltado para commodities, permite ao investidor navegar por todas essas questões sem ter a preocupação de analisar uma tese de forma mais aprofundada.

Crédito Privado: existe uma forma simples de acessar?

Guilherme Mattioli, sócio e gestor da BTG Asset, e Paula Comassetto, jornalista do MoneyTimes e Seu Dinheiro, dividiram esse painel para comentar sobre o ambiente de crédito privado no Brasil.

Mattioli começou o painel comentando sobre a compressão dos spreads nos títulos de crédito privado. Acontece que quando a demanda dos investidores por este tipo de ativo aumenta, os spreads (o retorno adicional em relação a títulos do governo para compensar o risco de crédito) acabam diminuindo. Ou seja, o investidor acaba contratando uma rentabilidade menor para um risco que pode ser alto, dependendo do caso.

O gestor trouxe uma característica bastante relevante dos ETFs: o poder da diversificação. Mattioli trouxe como exemplo o DEBB11, o ETF de crédito privado do BTG. Neste ETF há mais de 200 títulos de créditos e o fundo tem um grau de liberdade, mesmo que reduzido já que se trata de um ativo indexado, para ajustar algumas posições em função do risco. "O DEBB11 permite uma diversificação eficiente, onde o investidor não precisa se preocupar em analisar o título por si só", afirmou Guilherme.

Paula Comassetto e Guilherme Mattioli

Outro ponto que Mattioli comentou a respeito dos ETF foi sobre a transparência. Um ETF é um instrumento transparente e que tem um índice com metodologia definida. No fundo tradicional, o mandato pode ter algumas alterações ao longo do tempo. Além disso, mais uma vez a questão da liquidez foi pauta. Guilherme reforçou a vantagem de liquidez num ETF comparada à de um fundo tradicional. Para o caso do DEBB11, que é um ETF de renda fixa, a liquidez é D+1. Ou seja, quando o investidor vende as cotas de um ETF de renda fixa, o dinheiro estará disponível na conta no próximo dia útil. Num fundo tradicional, o investidor pode levar um dia, uma semana ou um pouco mais para receber o dinheiro de volta.

Por fim, Mattioli ainda deixou uma provocação para os outros gestores. "Nós precisamos estar mais próximos dos investidores e trazer mais educação, mais clareza sobre a carteira, comentar sobre o carrego e os riscos. Algo mais aprofundado do que simplesmente falar de performance passada", concluiu.

Criptoativos: A Ponte para o Novo Mundo

Marcello Cestari, analista de criptoativos da Empiricus, e Matheus Parizotto, research de Digital Asset no BTG, dividiram este painel e comentaram sobre a categoria que tem sofrido de forma mais contundente com todo esse ambiente de conflitos. Na visão dos dois, o Bitcoin tem caminhado cada vez mais para se tornar uma reserva de valor, mas por enquanto, estamos falando de algo emergente.

Cestari comentou sobre a adoção institucional de criptoativos. "Um mercado um pouco mais maduro e com regulação clara podem ser alavancas para uma maior adoção institucional", disse o especialista.

E nesse sentido, os ETFs de criptoativos são ferramentas interessantes para este investidor por conta de ser algo com regulação mais ajustada e com permite um acesso mais facilitado.

À esquerda, Matheus Parizotto, e à direita, Marcello Cestari

Atualizações e Perspectivas, a conclusão do evento

Tiago Lima, sócio e head de distribuição da BTG Asset, trouxe algo que já se fala há bastante tempo: o mercado está migrando do modelo de comissionamento para o modelo fiduciário, o famoso fee-based. Nesse novo paradigma, o alocador deixa de ser um vendedor de produtos para se tornar um arquiteto de portfólios e nesse sentido o ETF é o veículo que agrega eficiência, custo baixo, transparência e liquidez.

Tiago Lima, sócio e head de distribuição da BTG Asset

A indústria brasileira de ETFs pode ainda ser "tímida" em tamanho, mas cada vez mais estamos certos que o caminho para o crescimento já está sendo trilhado.