O ouro como ativo financeiro vem ganhando destaque nos últimos anos, especialmente pela sua performance relativa frente a outras classes de ativos. 

Os maiores ETFs de ouro nos EUA atingiram as impressionantes marcas de US$ 80 bilhões (ETF: IAU) e US$176 bi (ETF: GLD) de patrimônio, consequência da valorização expressiva e de seguidas captações. 

Na B3, a cotação do GOLD11, ETF equivalente que proporciona exposição à commodity física, acumulou alta de 46,65% em 2025 após uma valorização de 59,64% em 2024. 

O fundo de índice atingiu um patrimônio de R$3,8 bilhões, tornando-o um dos maiores ETFs locais. A performance acumulada, quando vista em uma janela mais ampla, se torna ainda mais impressionante.

Performance acumulada do ETF GOLD11 em relação a diferentes índices

Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento estão a dinâmica do dólar, o nível dos juros reais globais e o aumento da demanda por ativos de proteção em um ambiente de maior incerteza. Tradicionalmente visto como reserva de valor, o ouro tende a se valorizar tanto em períodos inflacionários quanto em momentos de estresse.

Nesse contexto, surge uma dúvida recorrente entre os investidores… 

Como lidar com a exposição cambial ao investir em ouro?

A alternativa de investir em ouro sem exposição ao câmbio não é nova e já existe há anos por meio de fundos distribuídos em plataformas e bancos comerciais. 

Estratégias como a do fundo de investimentos Trend Ouro, que utiliza hedge cambial, tiveram destaque recente tanto em rentabilidade quanto em captação.

Os gráficos abaixo comparam o Trend Ouro com sua versão com exposição cambial, o fundo de investimentos Trend Ouro Dólar (no universo dos ETFs, esse fundo é equivalente ao ETF GOLD11 em termos de estratégia). 

Performances dos fundos Trend Ouro e Trend Ouro Dólar em relação ao CDI

Embora a rentabilidade acumulada em um horizonte de seis anos seja semelhante, há diferenças relevantes quando observamos a volatilidade em janelas de 12 meses. 

A versão sem exposição cambial apresentou menor volatilidade e maior consistência relativa, mantendo-se acima do CDI em 63% das janelas de 12 meses, enquanto a versão com exposição ao dólar superou o CDI apenas em 45% das janelas entre 30 de dezembro de 2019 e 22 de janeiro de 2026.

As estratégias de ouro hedgeadas (sem exposição cambial) se beneficiam também do diferencial de juros brasileiros em relação aos juros dos Estados Unidos, o que faz com que, além da valorização do ouro em dólares, recebam também essa taxa adicional.

Trend Ouro e Trend Ouro Dólar: rentabilidade em janelas móveis de 12 meses

GOLX11: um ETF de ouro sem exposição cambial

Na XP Asset Management, recentemente lançamos o GOLX11. O ETF traz exposição à commodity sem variação cambial, acrescido do diferencial da taxa de juros brasileira e norte-americana.

Isso não significa que o GOLD11, o ETF que conta com exposição cambial, seja uma alternativa pior para o investidor. A coexistência dos ETFs serve para dar opção aos investidores com diferentes estratégias. O GOLD11 pode fazer mais sentido, por exemplo, para quem busca dolarizar o patrimônio e adicionar proteção cambial.

Independente da versão, a performance dos últimos anos, somada aos benefícios decorrentes da descorrelação com outras classes de ativos, reforça o ouro como peça estratégica ao construir um portfólio de ETFs.

Danilo de Souza Gabriel, CGA, CFA é sócio da XP inc. e responsável pela liderança da área de indexados e fundos internacionais. Possui mais de 12 anos de experiência no mercado financeiro e foi responsável pela criação da família Trend de ETFs e fundos indexados. Teve passagens pela RB Capital Asset Management e Banco BBM antes de se juntar à XP Asset em 2017. É formado no Instituto Militar de Engenharia (IME).
Leonardo Vasques, CFA, é Senior Portfolio Manager na XP Asset Management da área de indexados. Possui mais de 25 anos de experiência atuando na gestão de recursos, tendo atuado na criação de mais de 20 ETFs, incluindo o primeiro ETF do Brasil e o primeiro ETF Chileno. Atuou na Itaú Asset Management antes de se juntar à XP Asset em 2025. É formado na EAESP – FGV e na Faculdade de Direito da USP. Possui Mestrado em Economia e Finanças pelo Insper.