
Passamos a manhã de terça-feira (3)no ETF Global Leaders, um café promovido pela Global X em São Paulo com pessoas-chave do mercado de ETFs.
Conduzida por Tom Lydon, fundador da ETF Trends, a conversa contou com Peter Dietrich, Head Comercial Global na VettaFi e ex-Morningstar, Brian Coco, Chief-Product Officer na VettaFi, Wes Matthews, Head de Estratégias de Investimentos na NEOS ETFs, Mike Atkins, cofundador da ETF Action e Steve Sachs, COO do núcleo ETF Accelerator no Goldman Sachs antes de se aposentar.
“Simples como uma embalagem” é a forma como Mike Atkins abriu a conversa para descrever os ETFs. Por trás da ETF Action, provedora de dados, notícias e modelos de portfólio de ETFs, o executivo ressaltou que os fundos negociados na bolsa se destacam por sua facilidade em embalar uma estratégia de forma rápida, sendo veículos capazes de reagir às demandas do mercado assim que elas surgem.
Como exemplo, Mike cita o recente crescimento de fundos que acompanham empresas europeias voltadas à defesa e proteção militar, dado o contexto geopolítico atual.

A conversa, então, se voltou ao desenvolvimento do mercado de ETFs no Brasil.
Peter Dietrich, com quase 20 anos de experiência na Morningstar, referência em research de ETFs, lembrou de um estudo que a empresa fez há alguns anos cuja conclusão básica foi que, em qualquer país analisado, investidores sempre estão sujeitos a cometer erros.
Resgates movidos pelo pânico de movimentos de curto prazo no mercado, por exemplo, que bagunçam a perspectiva de longo prazo que os ETFs trazem. A lição para o Brasil, em sua visão, é a importância de ações que eduquem o investidor de ETFs.
Wes Mathews, da gestora NEOS, acrescentou que é impossível fazer isso sozinho: as gestoras carregam o dever de se unirem, formando um verdadeiro ecossistema de crescimento.

Depois de um 2025 com mais lançamentos de fundos do que semanas, o mercado brasileiro de ETFs amadureceu.
“Passamos, no Brasil, de ETFs que apenas dão acesso a índices amplos para cada vez mais fundos com estratégias diferenciadas. A evolução natural é não desacelerar, criando estratégias únicas que façam sentido para o mercado local”, complementou Brian Coco, da VettaFi, empresa por trás de fontes essenciais de insights e conteúdos, como o ETF Database.
Depois do painel, a tudoETF conversou com Steve Sachs, com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro estadunidense.
Apesar de Wall Street ser uma referência para qualquer entusiasta de ETFs, Steve não deixa de pontuar que, por lá, o caminho de crescimento foi marcado por erros que outros países podem entender para evitar.
Entre os principais, está o próprio conceito do que é um ETF: “nos preocupamos por tempo demais quanto à definição do que é a tal embalagem que o ETF representa. Os ETFs são como fundos, mas são outra coisa. Os ETFs são como ações, mas são outra coisa. No final das contas, quem liga? O importante é trazer ao investidor confiança nessa embalagem e nas estratégias às quais ela pode dar acesso.”
Outro exemplo é a experiência do usuário: “Eu abri uma conta em uma corretora décadas atrás e ainda lembro do receio que senti”, o executivo comentou em tom de brincadeira, mas relembrando a desconfiança natural de qualquer investidor. Esse é um dos grandes desafios para escalar a adoção de ETFs.
E o que virou o jogo no mercado nos EUA: a mudança no modelo de incentivos do assessor (de comissão para fee fixo) ou o baixo custo dos ETFs (em comparação a fundos tradicionais)?
“É como discutir quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Acredito que, para os ETFs, é a combinação dos dois: taxas baixas, transparência e liquidez são essenciais, mas elas não conseguem agir sozinhas em um mercado em que a interface entre ETFs e investidores é o advisor.”
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