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O investidor que observa o cenário global percebe duas temáticas atuando ao mesmo tempo: um avanço tecnológico acelerado e um aumento significativo das tensões geopolíticas. Essa combinação tem remodelado prioridades de governos, cadeias produtivas e, naturalmente, oportunidades de investimento. Entre as teses que mais se destacam nesse contexto estão: tecnologia de defesa e empresas exploradoras de ouro. Duas narrativas diferentes, mas que dialogam com o mesmo contexto: um mundo mais complexo, mais digital e menos previsível.
Nos últimos anos, o número de conflitos armados atingiu níveis históricos. Em 2024, havia 61 conflitos ativos, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Para ilustrar, isso equivale dizer que 1 em cada 8 pessoas no mundo esteve exposta a algum tipo de conflito militar. Esse ambiente levou os gastos militares globais a um recorde de US$ 2,7 trilhões em 2024, marcando dez anos consecutivos de crescimento.

Os orçamentos de defesa estão migrando para tecnologia. Os Estados Unidos, por exemplo, propuseram US$ 179 bilhões apenas para Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação em 2026, um aumento de 27% em relação ao ano anterior. Isso inclui investimentos em inteligência artificial, sistemas autônomos, cibersegurança e infraestrutura digital. Empresas como Palantir, Anduril e Google já participam de contratos bilionários para fornecer desde plataformas de IA até drones autônomos e soluções de nuvem segura para operações militares.
A Europa também acelera. A OTAN elevou sua meta de gastos de 2% para 5% do PIB até 2035, o que pode adicionar centenas de bilhões de dólares por ano ao setor. A União Europeia, por sua vez, planeja € 800 bilhões em investimentos adicionais em defesa até 2030. Em outras palavras: a tese de tecnologia de defesa não é cíclica, é estrutural.

Em momentos de incerteza, o ouro tende a ser procurado como reserva de valor. Mas dentro desse universo existe um segmento ainda mais interessante: as empresas exploradoras de ouro. Elas não são grandes mineradoras consolidadas, são companhias que buscam novos depósitos e desenvolvem projetos que podem se tornar minas no futuro.
A demanda por ouro segue forte. Os bancos centrais compram mais de 1.000 toneladas por ano desde 2022, e cerca de 70% deles afirmam que pretendem aumentar suas reservas nos próximos cinco anos. Ao mesmo tempo, a oferta cresce pouco. Custos de extração mais altos, riscos regulatórios e a escassez de projetos de alta qualidade limitam a expansão da produção global. Isso cria um ambiente favorável para empresas que conseguem descobrir novos depósitos, e é justamente aí que exploradoras e desenvolvedoras se destacam.

Historicamente, essas empresas apresentam maior sensibilidade ao preço do ouro. Quando o metal sobe, seus projetos se tornam mais viáveis e seus valuations podem se expandir rapidamente. Além disso, períodos de preços elevados costumam impulsionar fusões e aquisições no setor, com grandes mineradoras comprando exploradoras para repor reservas.
Assim, enquanto a tese de defesa se apoia na modernização tecnológica e no aumento dos orçamentos militares, a tese de exploradoras de ouro se beneficia da busca por segurança e da necessidade de novas descobertas em um mercado de oferta limitada. São narrativas diferentes, mas ambas refletem tendências estruturais de longo prazo.
Para investidores que desejam se expor a essas teses de forma diversificada e eficiente, existem ETFs temáticos globais que reúnem empresas de defesa e tecnologia militar, como o Global X Defense Tech ETF (SHLD39) assim como ETFs focados em exploradoras de ouro, o Global X Gold Explorers ETF (GOEX39). Eles permitem capturar essas tendências sem a necessidade de selecionar ações individuais, uma forma prática e diversificada de participar de movimentos que estão moldando o futuro da economia global.
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