No primeiro trimestre de 2026 a classe de ativos digitais passou por um período de forte estresse, mas que pode representar um momento de oportunidade. Enquanto investidores de curto prazo viram apenas a queda nominal de 24,1% do Nasdaq CME Crypto Index (NCI), os investidores de mais longo prazo e os que entendem os fundamentos da classe observaram um cenário ideal para a aplicação de um dos conceitos mais poderosos, e frequentemente subestimados, dos Investimentos: o poder do rebalanceamento em ambientes de alta volatilidade.

O cenário de estresse: O que moveu o mercado de ativos digitais no primeiro trimestre?

Para entender por que a volatilidade deve ser encarada como uma aliada, é preciso primeiro dissecar o que ocorreu no primeiro trimestre. O mercado se desenrolou em três atos distintos: um movimento inicial devido a tensões geopolíticas no Oriente Médio, seguido pelo "Choque Warsh", uma surpresa na política monetária dos EUA que provocou uma reprecificação agressiva da liquidez global.

Os 3 atos no mercado. Verde: Tensões com o Irã. Lilás: Nomeação de Kevin Warsh para o FED. Azul: Ataque EUA/Israel ao Irã. Fonte: Hashdex

Esse cenário resultou em um processo de desalavancagem que eliminou cerca de US$ 11 bilhões em posições compradas em poucos dias. Para o investidor emocional, um momento de bastante estresse e pânico. Já para o investidor mais consciente, foi a criação de uma distorção de preços que abre caminho para a captura de retornos excedentes.

Fonte: Hashdex

O Rebalanceamento: Disciplina sobre o Caos

O fundamento por trás do rebalanceamento é simples, mas a sua execução exige um certo controle emocional que muitos investidores não conseguem tão facilmente. Pode-se dizer que seria até um contrassenso para muitos investidores. Ao definir um percentual fixo para cripto em uma carteira diversificada, a volatilidade, como a observada em fevereiro, força o investidor a "comprar o medo", ou seja, aumentar a exposição após a queda e "vender o otimismo", realizar lucros após altas mais expressivas.

Em ativos com a volatilidade de cripto, essa flutuação de preços não é um risco a ser evitado, mas sim o combustível que permite comprar mais a preços descontados sem aumentar o risco total da carteira no longo prazo.

A Maturidade Institucional

Apesar da queda nos preços, a participação institucional no fornecimento de Bitcoin quase triplicou desde 2024, atingindo patamares próximos a 23,9% no final do trimestre. Isso sinaliza que este tipo de bolso não está apenas suportando a volatilidade, mas utilizando-a para acumular posições.

Fonte: Hashdex

O que os dados mostram sobre investir em cripto por meio de índices?

Enquanto o Bitcoin oferece uma resiliência maior em momentos de maior estresse na classe de ativos digitais, fazer exposição em cripto através de um índice diversificado como o Nasdaq CME Crypto Index, que é a base do HASH11, captura o "beta de recuperação" de forma amplificada em ciclos de retomada do mercado.

Fonte: Hashdex

Conclusão: A Volatilidade não é sua Inimiga

A grande lição que o primeiro trimestre e a teoria do rebalanceamento nos deixam é que o sucesso em ativos digitais não depende da capacidade de prever o próximo tweet ou conflito geopolítico, mas sim da robustez da estrutura da carteira. Em um mercado onde o medo e a ganância oscilam com a mesma velocidade da liquidez global, ter a volatilidade como aliada, ao invés de inimiga, é o que separa os alocadores de sucesso dos espectadores do mercado.

Samir Kerbage é Chief Investment Officer da Hashdex, responsável pela estratégia global de investimentos, desenvolvimento de produtos e pesquisa. Sócio-fundador da Hashdex, liderou a construção da plataforma de gestão de criptoativos da empresa por meio de ETFs, ETPs e outros veículos. Samir possui mais de 15 anos de experiência em infraestrutura de mercados financeiros e trading quantitativo e é formado em Engenharia da Computação pelo IME.