
Tem um detalhe incômodo na carteira do investidor brasileiro: quando ele compra o índice local, está comprando o retrato de uma velha economia. O Ibovespa é, na prática, um índice de commodities, bancos e energia. Nada contra esses setores, mas é importante saber o que se está comprando. E o que se está comprando, aqui, são setores com pouca inovação estrutural.

Os números não deixam dúvida. Em dezembro de 2025, Financeiro, Materiais e Energia somavam cerca de 56% do Ibovespa. Tecnologia? Menos de 1%. As cinco maiores ações (Vale, Itaú, Petrobras, Bradesco e Eletrobras) são as mesmas faces que dominam o índice há décadas; três delas já estavam no top 5 em 2015. É um índice que fotografa bem o Brasil que temos, mas não captura quase nada da economia que está sendo construída no mundo.
Aqui está a diferença que importa e ela não é sobre concentração. Os dois índices concentram cerca de 60%: tanto o NASDAQ-100 quanto o Ibovespa têm perto de 35% nas cinco maiores. O ponto é outro: concentrado em quê, e se as lideranças giram.

O NASDAQ-100 renova. A Nvidia saiu de fora do top 5 para o primeiro lugar; nomes como Yahoo, Activision e Xilinx simplesmente deixaram o índice. A fatia de Tecnologia e Comunicação subiu de ~59% para ~69% na última década, mostrando que o índice não só lidera a inovação, ele se aprofunda nela. O Ibovespa faz o caminho oposto: trava em ~56% de velha economia e mantém os nomes. Um índice promove os líderes do futuro; o outro preserva os incumbentes do passado.
Renovação não é interessante apenas na teoria. Ela vira retorno.

De dezembro de 2009 a abril de 2026, em dólar e retorno total, o NASDAQ-100 entregou +1.639% (19% ao ano). O S&P 500, +776% (14% ao ano). O Ibovespa, em dólar, perdeu valor: −4% em dezesseis anos. Era melhor ter dólar em comprado papel moeda e deixado “embaixo do colchão” do que ter investido no principal índice acionário brasileiro.
E antes que venham objeções tais como “mas nos últimos doze meses o Brasil subiu mais”, o NASDAQ-100 se apresenta com um argumento ainda forte. Não é sorte de um período. Olhando todas as janelas móveis desde 2009, o NASDAQ-100 superou o Ibovespa em 80% das janelas de 12 meses e em 100% das janelas de 5 anos, sem uma única exceção. O retorno médio numa janela de cinco anos foi de +141% para o NASDAQ contra praticamente zero para o Ibovespa. Contra o próprio S&P 500, o NASDAQ venceu em 76% das janelas de 12 meses e, de novo, em 100% das de 5 anos.
Ou seja: mesmo comparado à porta mais usada de acesso aos EUA, o S&P 500, o NASDAQ-100 rendeu praticamente o dobro. É a porta certa.
Essa exposição está disponível no Brasil, listada, a partir de R$10. O NASD11 foi o primeiro ETF de NASDAQ-100 na B3. Para quem prefere a versão protegida de câmbio, há o Trend NASDAQ 100 FIM, com hedge.

Os dois veículos bateram os benchmarks locais desde o lançamento, em maio de 2021: o FIM com hedge rendeu +163%; o NASD11, +87%; contra +74% do CDI e +51% do Ibovespa. Vale entender a mecânica: o ETF entrega a exposição “limpa”, incluindo o câmbio, é a porta do dólar comprado em moeda forte. Já o FIM, ao travar o câmbio num país de juro alto, captura o NASDAQ mais o carrego do hedge, e por isso disparou. São duas portas para o mesmo destino, e o investidor escolhe a sua.
A adesão acompanha: o NASD11 saiu de 18 mil para cerca de 49 mil cotistas e de R$154 milhões para ~R$800 milhões em patrimônio e seguiu captando até na queda do dólar de 2025 e 2026. Isso é convicção na tese, não fluxo de oportunidade.

E aqui está o ponto que mais chama atenção. O apetite do brasileiro por Estados Unidos já existe e é enorme. Só que está quase todo no S&P 500. Os ETFs de S&P 500 no Brasil somam cerca de R$14,5 bilhões; os de NASDAQ-100, aproximadamente R$1 bilhão. O NASDAQ é só 6,6% do tamanho do S&P por aqui, apesar de ter rendido o dobro numa janela longa. Para dar dimensão: o maior ETF de S&P do país, sozinho, é cerca de sete vezes maior que todo o NASDAQ-100 brasileiro.
Índice melhor, fração do tamanho. Não é um problema de demanda, é um desafio de penetração. E onde há essa distância entre qualidade e adoção, há espaço para crescer.
No fim, é simples. A próxima década de retorno tende a vir de onde a inovação acontece e certamente o índice NASDAQ-100 tem potencial de capturar esse movimento. Ele se renova, performa de forma consistente e supera até a alternativa americana mais popular. Falta fechar a distância entre o que o índice entrega e o quanto o investidor brasileiro usa.
