A discussão sobre a inteligência artificial está mudando de fase, uma vez que todo esforço e investimento está se materializando em algo muito relevante para os investidores, resultado! Essa mudança é importante porque altera a forma como o mercado enxerga o setor: já não se trata só de medir quanto está sendo investido, mas de observar quando esse investimento começa a aparecer em receita, margem e geração de caixa. Em outras palavras, a IA entrou em uma segunda fase. A primeira foi marcada pela corrida para construir capacidade. A segunda começa a mostrar quem transforma essa capacidade em negócio.

Os números mais recentes ajudam a sustentar essa leitura. Alphabet, Microsoft, Nvidia, Broadcom e Palantir divulgaram resultados que reforçam a ideia de que a IA já está influenciando o desempenho das empresas de forma concreta. A Alphabet reportou crescimento de receita de 24% no trimestre e elevou sua projeção de capex para 2026 para a faixa de US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões. A Microsoft informou receita de US$ 90 bilhões no trimestre mais recente, alta de 18%, e sinalizou que os investimentos em capital devem superar US$ 50 bilhões. A Nvidia voltou a mostrar a força da cadeia de chips e data centers, com receita de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, alta de 85% sobre um ano antes. A Broadcom, por sua vez, destacou receita de IA de US$ 10,8 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2026, crescimento de 143% na comparação anual. Já a Palantir mostrou crescimento de 85% na receita e avanço de 104% na receita comercial nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026.

Esses dados não são equivalentes entre si, mas apontam na mesma direção. A IA começa a aparecer nas linhas que mais importam para o investidor: faturamento, expansão operacional e perspectiva de recorrência. Isso é relevante porque o mercado precifica a capacidade de monetização de seus investimentos. E, nesse aspecto, o comportamento recente das grandes empresas sugere que parte dos investimentos feitos nos últimos anos começa a produzir retorno.

O crescimento em algumas ondas

IA não é um ciclo único, mas uma sequência de ondas. A primeira onda concentrou gasto em treinamento de modelos, construção de data centers, aquisição de chips e desenvolvimento de software básico. A segunda onda é mais ampla e, em certo sentido, mais interessante: envolve a incorporação da IA nas plataformas já existentes, a monetização por meio de publicidade, nuvem, serviços corporativos, dispositivos e aplicações especializadas, e a expansão da infraestrutura necessária para sustentar a adoção em escala.

A tendência é o capex continuar elevado, dados os sinais positivos do lado da receita. As empresas seguem investindo em infraestrutura, rede, memória, processamento e armazenamento. Isso vale para os hyperscalers, mas também para fornecedores de semicondutores, memória e soluções de interconexão, como Broadcom, Nvidia e Micron. Vale ainda para plataformas mais próximas do usuário final, como Google, Microsoft, Amazon, Apple e Meta, que precisam integrar IA ao seu ecossistema sem perder relevância nem velocidade de inovação. O avanço da receita reforça o ciclo de investimento.

Fonte: J.P. Morgan

A leitura mais importante aqui é que as companhias mais bem posicionadas combinam características difíceis de replicar ao mesmo tempo: escala global, balanço patrimonial robusto e poder de monetização. Isso lhes permite investir em ritmo elevado sem comprometer a estrutura financeira. Esta combinação é decisiva, pois é preciso ter capacidade de distribuir, vender, operar e reinvestir ao mesmo tempo; vantagem que tende a concentrar valor nas empresas líderes do ciclo.

Ao mesmo tempo, é preciso preservar um ponto de equilíbrio. A tese é construtiva, mas não pode ser tratada como se toda a expectativa estivesse “à frente” do mercado. Parte desse cenário já está refletida em valuations mais exigentes, especialmente entre os nomes mais associados à inteligência artificial. Isso não invalida a tese. Apenas exige disciplina. O investidor precisa separar duas coisas: a qualidade estrutural do negócio e o preço pago por essa qualidade. Quando o mercado precifica crescimento forte por vários anos, qualquer decepção pode gerar reprecificação relevante.

E como navegar nessas ondas?

Nesse contexto, o TECK11 surge como uma forma eficiente de acessar essa tese. O ETF segue o NYSE FANG+ Index, um índice equal-dollar weighted desenhado para representar um grupo de 10 ações ligadas a empresas de tecnologia e negócios tech-enabled. Na prática, isso oferece exposição direta a companhias que estão no centro da transformação digital e da atual onda de IA, sem exigir que o investidor faça uma aposta concentrada em um único nome.

Esse desenho é particularmente interessante porque a oportunidade não está restrita a um único vetor. Há monetização em cloud e software, em publicidade digital, em chips, em memória, em redes, em aplicações corporativas e em dispositivos. O conjunto de empresas que compõe TECK11 captura essa cadeia de forma ampla, permitindo ao investidor exposição a um grupo de líderes que já provaram capacidade de transformar investimento em receita e que ainda preservam fôlego para seguir investindo.

IA entrou em um estágio mais maduro, em que os resultados começam a confirmar a tese e o ciclo de capex continua vivo. Isso sustenta uma visão positiva para o futuro dos negócios e, por consequência, para a valorização dos ativos ligados a esse tema no médio e no longo prazo.

Bruno Tariki é formado em Administração de Empresas pelo Insper e atua no mercado financeiro desde 2002. Atuou por 13 anos na gestão de fundos de ações na Bradesco Asset Management, onde passou a gerir fundos indexados e participou do lançamento do primeiro ETF da instituição. Integrou a equipe de gestão dedicada a mandatos indexados e ETFs da XP Asset Management entre 2021 e 2025. Bruno se junto à equipe de gestão Indexados e ETFs da Itaú Asset em 2025.