
No início de 2024, a SEC (United States Securities and Exchange Commission), órgão regulador do mercado estadunidense, liberou, após anos de análise, a listagem de ETFs de Bitcoin spot (ou seja, acompanhando seu preço à vista) no mercado americano.
Isso deu origem ao ETF de crescimento mais acelerado da história, tanto em patrimônio quanto em número de cotistas. A relevância dessa popularização para o próprio Bitcoin é evidente, dado o rali no preço observado em decorrência disso.

A listagem em bolsa permitiu o acesso a investidores que não são nativos do mundo cripto e que não se sentiam confortáveis em investir diretamente nesse ecossistema.
Eventos de mercado e falta de conhecimento sobre custódia de ativos digitais são algumas das razões pelas quais muitos investidores preferiram aguardar para entrar no Bitcoin via mercado financeiro tradicional.
A custódia de criptoativos é historicamente um desafio para investidores menos especializados, dado que muitas corretoras da classe não ofereciam custódia segregada e, em eventos de falência, retiveram as posições de clientes.
Clientes que mantêm suas posições em carteiras virtuais, por sua vez, também correm o risco de serem vítimas de hackers, razão pela qual investidores mais sofisticados e os próprios ETFs utilizam cold wallets (os ETFs, no caso, por meio de custodiantes institucionais).
Antes da listagem dos ETFs spot de Bitcoin, já existiam nos EUA contratos futuros de Bitcoin na CME (Chicago Mercantile Exchange) e trusts que investiam no ativo, como o da Grayscale, mas nenhum teve impacto comparável ao do ETF spot. Isso porque os contratos futuros, assim como podemos observar no Brasil, possuem apenas liquidação financeira e não são conversíveis no ativo, o que inibe alguns investidores e atrapalha a arbitragem.
Além disso, a existência de limites de oscilação diária (presentes em todos os contratos futuros) impacta pouco a maioria dos ativos, mas, dada a volatilidade histórica do Bitcoin, gera um risco considerável de descolamento entre o preço do contrato futuro e a cotação do Bitcoin à vista.
Os ETFs de Bitcoin são estruturas abertas, o que permite a arbitragem do ETF em relação ao Bitcoin à vista. Essa característica também permite que vários investidores possam atuar como formadores de mercado, reduzindo o spread de negociação (a diferença de preços em ofertas de compra e venda) e, com isso, mitigando os custos para o investidor.
Outra vantagem dos ETFs é o fato de serem negociados por meio da bolsa de valores, permitindo acesso ao investidor de mercados tradicionais. Nos EUA, parte significativa da população está habituada a investir no mercado de ações e possui, com isso, conta em corretoras e familiaridade com essa forma de investir. O lançamento dos ETFs proveu acesso instantâneo a esses investidores a uma classe de investimento que antes demandava um cadastro específico em corretoras de criptoativos.
Os ETFs trouxeram para os investidores transparência na negociação, segurança por meio de custódia institucional e facilidade de acesso. No Brasil, apesar da diferença de escala, os ETFs de cripto também obtiveram sucesso, respondendo por cerca de R$ 9 bilhões dos R$ 71 bilhões da indústria de ETFs (aproximadamente 13%), divididos em mais de uma dúzia de produtos.

Os ETFs de cripto se diferenciam tanto pelo índice (estratégia) que seguem, diferenciando-se por suas estratégias, quanto pela sua estrutura. Alguns ETFs são focados em uma única criptomoeda, enquanto outros oferecem acesso a uma cesta de criptoativos, geralmente dominada pelas duas maiores moedas digitais, Bitcoin e Ether (o ativo da blockchain Ethereum).
Quanto à estrutura, devido a restrições legais para possuir as criptomoedas diretamente, os ETFs se dividem entre aqueles que compram contratos futuros e os que investem em estruturas no exterior que detêm os ativos digitais diretamente. A última categoria representa a maioria dos ETFs de cripto no Brasil atualmente.
Embora vários ETFs ofereçam exposição ao mesmo ativo (como o Bitcoin), diferenças na estrutura podem resultar em custos e spreads bastante distintos. A maioria dos ETFs investe em veículos exclusivos no exterior, o que geralmente implica custos fixos elevados que podem prejudicar a performance do fundo. Esse impacto pode ser visto muitas vezes na comparação da rentabilidade da cota dos ETFs com a do seu índice de referência.
Além disso, esse tipo de estrutura faz com que o ETF opere no modelo cash (cotas criadas ou resgatadas mediante transferência de dinheiro, não de ativos), o que pode resultar em spreads maiores para os market makers nesse mercado.
O XBIT11 foi criado para se diferenciar das outras estruturas ao investir por meio de um ETF estrangeiro, regulado pela SEC, que é um dos maiores e mais baratos existentes. Com isso, oferece os benefícios de segurança e transparência da custódia institucional, além de uma estrutura mais barata.
Ele também utiliza o modelo in-kind, no qual as cotas podem ser emitidas mediante a entrega do ETF estrangeiro, o que facilita a arbitragem e spreads menores de negociação. Com isso, a expectativa é um produto mais líquido e com custo de negociação menor para o cliente.
Tanto os ETFs como um todo quanto aqueles que dão acesso ao mercado de cripto ainda têm baixa penetração no mercado brasileiro. Os ETFs representam menos de 1% da indústria de fundos tradicionais e a quantidade de investidores em ETFs de cripto ainda é modesta se comparada às estimativas de investidores em cripto no país, somando outras modalidades de acesso ao ativo.
O ponto positivo é que esse cenário tem mudado rapidamente. Apenas em 2025, foram mais de 50 novos ETFs lançados na B3 e tudo aponta para um 2026 igualmente ativo. O lançamento de novos produtos e o aumento da liquidez têm atraído cada vez mais investidores de varejo e gestores de recursos para esse mercado, confirmando o potencial de crescimento da classe.
