
Em 2025, o mercado global de ETFs captou cerca de US$ 2 trilhões, com pouco mais de US$ 1,4 tri apenas nos Estados Unidos. Ao longo do ano, foram vários os recordes batidos, como os de lançamentos, captação e volume negociados. Pela primeira vez na história, a quantidade de ETFs listados nos EUA superou a quantidade de ações listadas.
Uma movimentação relevante também ocorreu ano passado: o SPY, primeiro ETF de S&P 500, perdeu a posição de maior ETF do mundo, sendo superado pelo VOO (US$ 833 bilhões) e pelo IVV (US$ 761 bilhões), ambos também indexados ao S&P500.
E quanto ao mercado brasileiro? Aqui também houve recorde de lançamentos, patrimônio e volume negociado. Tivemos o lançamento recorde de 67 ETFs. Com isso, quase 40% dos 175 ETFs ativos na B3 no fim de dezembro foram lançados em 2025. O patrimônio total da indústria superou os R$ 90 bilhões e o volume diário médio negociado rompeu a marca de R$ 1,5 bi.

Apesar desses avanços, os ETFs seguem representando apenas cerca de 1% da indústria local de fundos, em comparação com os mais de 35% observados no mercado americano. Mas há sinais de que isso pode mudar em 2026.
15 dos 67 lançamentos de novos ETFs ocorreram em dezembro, o que mostra que os gestores estão se posicionando para mais crescimento. Na XP Asset Management, lançamos sete desses ETFs, trazendo inovações como o XB3511 e o XB5011, dando acesso ao mercado de balcão das NTN-Bs para bolsa. Já o XBIT11 e o XETH11 inauguraram a presença da gestora no segmento ETFs de criptoativos.
Além da XP Asset, outras 12 gestoras lançaram ETFs em 2025. O aumento na quantidade de emissores, atualmente em cerca de 20 diferentes asset managers, mostra a ampliação da adoção dos ETFs e a aposta do mercado na expansão do instrumento.
Do lado da distribuição, o avanço do modelo de fee fixo (em oposição ao modelo comissionado para os assessores) e dos serviços de consultoria também devem impulsionar a adoção de ETFs na composição da carteira dos brasileiros.
Segundo dados do ICI (Investment Company Institute), nos Estados Unidos, os assessores que utilizam o modelo fee-bases alocaram cerca de 45% dos recursos de seus clientes em ETFs em 2023.
Outro fator decisivo deve ser a amplitude de classes de ativos e estratégias disponíveis via ETFs. O instrumento, que durante muito tempo tinha apenas ativos ligados à performance das ações locais, possui hoje apenas pouco mais de um terço em produtos de renda variável brasileira. Classes de ativos como renda fixa local e ações internacionais ganharam relevância e já respondem juntas por mais de 50% do patrimônio.
A tendência de crescimento já foi observada em janeiro de 2026, tanto do lado de patrimônio quanto da continuidade de expansão da grade de produtos existentes. No mês, os ETFs locais captaram pouco menos de R$ 4 bi e o patrimônio atingiu R$ 97,9 bi. Foram também lançados dois novos ETFs e há cerca de outros 10 em processo de aprovação na CVM. Nesse sentido, é justo afirmar que 2026 se configura para ser o verdadeiro ano dos ETFs no Brasil.